Ministério Édino Fonseca

Alô Senado

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Discurso de Defesa Anti-semitismo

O SR. EDINO FONSECA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, assomo à tribuna para manifestar meu inconformismo, minha insatisfação e minha preocupação com que está ocorrendo no mundo.

O que houve na Rússia, na semana passada, foi deplorável e a humanidade deve repudiar. Em nome de determinados ideais ou em nome de determinadas religiões se matam crianças, professores e mestres. Se pegar em armas para defender ideais é a coisa mais deplorável que há no mundo, porque está provado que a violência não leva a nada.

A mensagem pacificadora de Jesus Cristo é de que só pela paz e o amor se constrói uma sociedade mais justa. Não podemos, de maneira alguma, valorizar aqueles que utilizam a força das armas, sejam do Estado ou os que, clandestinamente, pegam em armas para impor seus ideais.

O que vimos na Rússia entristeceu o mundo todo. Um grupo entrou numa escola e matou mais de 350 pessoas, em sua maioria crianças que foram estudar. O que Jesus disse, Gandhi provou à Inglaterra, com seu espírito totalitário e intolerante, que com a paz e o amor se podia vencer sem pegar em armas.

Primeiramente, repudio todos aqueles que exaltam o movimento das armas.

Segundo, trago a esta Casa e aos telespectadores da TV Alerj uma satisfação. Fui acusado de anti-semita por um Sr. Deputado desta Casa, porque disse num programa de rádio - quando fui chamado de religioso - que estava querendo pegar dinheiro do Estado para por nas igrejas. E, chamado de pastor, eu disse que compreendia bem uma mente intolerante de qualquer religião, mesmo da religião judaica.

Mas isso não quer dizer, Sr. Presidente, qualquer sentimento anti-semita, porque eu não poderia ser contra as minhas próprias origens. Eu também sou judeu, também sou israelita. O meu nome é Edino Fialho Fonseca. O Fialho é que identifica minha origem judaica – filho de alho. Porque quando os judeus saíram na Diáspora, espalhados pelo mundo, se dividiu bem, claramente, as duas raízes: sefaradim e asquenazim. Os sefaradim são justamente os da tribo de Judá, espalhados pelo mundo, que foram para a Península Ibérica. E os outros foram para outra parte, para o norte da Europa.

Sou um sefaradim. Sou um cristão novo. Sou um israelita não circuncidado no meu prepúcio. A minha circuncisão é de coração. Portanto, não posso ser contra minhas origens. Como israelita de nascimento e de sangue, da tribo de Judá, não posso ser contra as minhas origens, mas isso não quer dizer que aceite que alguém de minha origem seja intolerante com os cristãos, porque também sou cristão. Não posso, de maneira nenhuma, me calar e aceitar que seja um anti-semita, primeiro porque conheço a história do meu povo. Sou professor de História Antiga e Futurística que, na Teologia, significa a história das coisas que hão de vir, há mais de trinta e cinco anos, e por todo esse tempo tenho defendido a minha origem, a origem do povo de Israel como uma origem divina.

No Brasil sou conhecido e respeitado como professor de História Antiga e de Escatologia . Tenho dado conferências na América do Sul e na América do Norte, por trinta e cinco anos. Conheço bem a história do meu povo. Creio no projeto de Deus para a criação. Como um Israelita nato, não posso abandonar o projeto de Deus. Deus criou Adão e Eva e a humanidade entrou em decadência que, generalizada, chegou ao dilúvio e, depois do dilúvio, mesmo a Adão, Deus disse que iria reconstruir a humanidade e que, em Adão, haveria uma nova sociedade para a Terra. Como a sociedade entrou em decadência, veio o dilúvio e Deus escolheu uma família temente, a família de Noé. Noé teve três filhos: Sem, Cam e Jafé. Quando o dilúvio terminou, eles se dividiram. Sem foi justamente para a área dos países árabes e a terra de Judá. Ali surgiu uma nova sociedade.

Cresceu também a sociedade de Babilônia, onde estava o antigo Jardim do Éden, a antiga Torre de Babel, a Mesopotâmia, o Império de Babilônia. Lá houve um homem que creu no Projeto da Criação, na mensagem de Noé: Abrão que, pelos seus sentimentos voltados para Deus, por Ele foi chamado, pois através dele seria construída uma nova nação.

Seu nome, Sr. Presidente, Srs. Deputados, funcionários desta Casa e telespectadores da TV Alerj, seria mudado para Abraão, que quer dizer “Pai de uma Grande Nação”. Ele alcançou a velhice e sua esposa, estéril, com cem anos teve filho, mas antes levou-o a deitar-se com a escrava Agar, e deste casal nasceu Ismael. Logo depois, para cumprimento daquela promessa divina, nasceu o mancebo Isaac, que teve dois filhos: Jacó e Esaú. Esaú era o primogênito, mas a promessa é que o segundo seria maior que o primeiro. Jacó se tornou um suplantador, um enganador, um intolerante para com seu irmão, um mentiroso, um difamador. Jacó tinha um caráter perverso. Foi ele quem enganou seu pai Isaac quando estava velho e cego – induzido pela mãe para que recebesse a bênção patriarcal, direito do seu irmão Esaú. Quando ele tomou a bênção de seu pai, e Esaú voltou, não tinha mais a bênção patriarcal, tornando-se Jacó o novo líder. Como um homem enganador poderia ser o pai, seguidor da Nação? Ele teve que ir para uma cidade distante, para a casa de um tio dele chamado Labão

E, ao retornar, teve que enfrentar o ódio de Esaú, que queria matá-lo. Esaú, de perversidade, casou-se com uma filha de Ismael.

Deus havia dito que abençoaria Isaac, mas não abandonaria Ismael, que Ismael também teria a bênção. De Ismael originam-se os ismaelitas, e é de onde vêm todos os árabes que também são abençoados por Deus, e abençoados até duplamente, porque são todos filhos tanto de Abraão como filhos de Esaú, já que Esaú casou com a filha de Ismael. Mas ficou arrependido daquele grande encontro com Deus, o chamado Val de Jaboc que, aliás, todas as pessoas têm e devem ter.

Dizia eu que os árabes são abençoados duplamente pela bênção de Abraão e pela bênção de Esaú. Jacó teve seu Val de Jaboc e, arrependido, pediu perdão ao seu irmão e, naquele dia do pedido de perdão, Deus trocou o nome dele de Jacó para Israel.

Ali começa, verdadeiramente, a nação de Israel. A nação de Israel foi, com José, levada para o Egito. Lá, por quase 200 anos, cresceu na estrutura do governo e na cultura do Egito, sem deixar abalar a sua fé.

José levou seu pai, levou seus irmãos e ali cresceram, até que saíram do Egito pelas mãos de Moisés. E as tribos das quais faziam parte os filhos de Jacó, mais os filhos de José, que foram abençoados por Jacó, totalizavam, então, doze tribos, e foram para Israel.

Resumindo, Sr. Presidente, em Israel cresceram. Na terra prometida, a Palestina, ali cresceram e foram abençoados. Prosperaram, tiveram juízes, homens fantásticos, mulheres – poderíamos falar de Barak, de Sansão, de Débora e de Jafité – que julgaram Israel. O último dos juízes de Israel foi Samuel. Quando ele saiu do período do juízo e entrou na monarquia, ungiu a Saul como um rei. Foi um rei profano, um rei intolerante, um rei desviado das coisas de Deus. Deus levantou David e cresceram, até que veio Salomão. Na morte de Salomão, o reinado se dividiu entre Jeroboão e Roboão, e ficou dividido Israel entre norte e sul - reino do norte e reino do sul. Houve a rebelião e a revolta contra Deus. A intolerância começou no meio do povo; começaram a pegar em armas e fazer revoluções. Deus desgostou e, então, as dez tribos foram levadas pelo cativeiro assírio e nunca mais ninguém soube dessas dez tribos.

Possivelmente, pensa-se que tenha sido a Inglaterra ou os Estados Unidos, onde estão concentradas as dez tribos perdidas que foram levadas pelo cativeiro.

Restou a tribo de Judá e mais uma tribo. A partir de então, começaram a ser conhecidas não mais por Israel, e sim, por Judá. Na versão grega seria a de Judas e se apagou esse nome da história por causa de Escariotes.

Essas duas tribos foram levadas também para o cativeiro da Babilônia por não guardar o sábado, por não descansar a terra no ano sabático. E lá ficaram 70 anos na Babilônia e aprenderam todo tipo de comércio.

Setenta anos depois, quando a Babilônia cai, naquela noite fantástica da morte do neto de Nabucodonosor, Belsazar - Nabucodonosor já havia morrido, Nabonido estava no poder, o seu genro, e Belsazar, o seu neto, governava junto. Naquela noite, Ciro e Dario se levantaram e derrubaram o Império Babilônico, e fizeram então com que voltassem – agora, a tribo de Judá - para a sua terra, e lá ficaram. Com a queda do Império Medo-Persa, levantou-se o Império Grego, e, posteriormente o Romano, e invadiram Jerusalém outra vez, e viveram sob o domínio indireto de Roma até o ano 70 da nossa era.

No ano 70, o general Tito entrou em Jerusalém e destruiu Jerusalém. Massada resistiu até o último habitante. E então foram espalhados pelo mundo todo. Veio a diáspora, surgem os sefardins e os asquenazes. E aí aparece a origem da minha família – os Fialhos. Fomos levados para Portugal, onde crescemos sendo educados dentro das leis israelitas. E pela Inquisição, pela força, conhecemos o Senhor Jesus Cristo e nos tornamos cristãos novos.

Como pode ser que alguém que defende Israel - e Israel só se tornou nação em 1948, pelas mãos de Oswaldo Aranha, um brasileiro, e eu sempre disse que todas as nações do mundo caíram porque se levantavam contra um povo, cujo fundador, o arquiteto daquela nação, é o próprio Deus; caíram os impérios que se levantaram contra Israel, as velhas culturas desapareceram, mas Israel continua de pé. Eu disse que o nazismo caiu e que o comunismo cairia simplesmente porque se levanta não contra um povo, mas sim contra o próprio Deus.

Houve uma conferência, Sr. Presidente, feita seis meses antes da queda da União Soviética, numa cidade do Paraná, num congresso de jovens, onde mostrei que a União Soviética seria esfacelada, como foi o nazismo, como foi o Império Romano, porque eles não estavam se levantando simplesmente contra um povo, mas sim contra Deus. Seis meses depois estava caindo o Muro de Berlim e a União Soviética sendo esfacelada.

Como pode um homem como este, que defende a sua fé e a origem do seu povo, ser chamado de anti-semita? Como pode um amante do próprio Deus, um amante do criador do Estado de Israel, ser chamado de anti-semita? Aqueles que falam isso não sabem sequer o que estão falando. Quando eu me referi, no programa de rádio, sobre a intolerância de um – um! – judeu, eu estava sendo chamado de um pastor que estava querendo usurpar o dinheiro do estado para pôr dentro das igrejas!

Sou pastor da Assembléia de Deus. E a Assembléia de Deus não tem como norma – e não somos contra aqueles que têm ONGs, fundações e institutos, mas nós não temos - não é cultura da Assembléia de Deus fazer isso. Fui acusado, aqui nesta mesma tribuna, na semana passada, de querer pegar o dinheiro do estado para por numa ONG minha. Eu desafio quem possa provar que eu tenho uma ONG, um instituto, uma fundação, ou alguém da minha família, um cunhado, um concunhado, um primo de primeiro, segundo ou terceiro grau, ou que alguém do meu relacionamento tenha. Apenas criei um projeto visando dar assistência àqueles que queiram ser assistidos - e voluntariamente -, e o estado pode fazer convênio com quem queira. Agora, eu ser acusado de querer pegar o dinheiro do estado para por numa fundação minha?!

Tentaram me taxar de homofóbico. Mas, como os homossexuais têm vindo conversar comigo, e sabem que de homofóbico não tenho nada - respeito plenamente os homossexuais, respeito aquilo que as pessoas queiram fazer, respeito as opções. E acho que têm que ser respeitadas. Sou é contra todo e qualquer disque 0800 disso ou daquilo. Acho que todos os cidadãos são iguais e devem ter do estado o mesmo tratamento.

Sr. Presidente, nunca peguei dinheiro para nada! Muito menos para pôr em igrejas, fundações, nada. Mas, quando tomei posse nesta Casa, fiquei estarrecido porque, no primeiro mês, houve acusações veementes aqui, desta tribuna, e dali de baixo, de que deputados desta Casa tinham recebido dinheiro da Coca-Cola para usar nas suas campanhas. Os acusados não se defenderam, não provaram que não pegaram dinheiro da Coca-Cola. Agora, essas mesmas pessoas vêm acusar alguém, simplesmente por ser pastor, de anti-semita.

Estou desmascarando toda a mentira porque jamais posso ser contra mim mesmo. Não posso ser anti-semita se sou judeu. Sou Fialho, filho de alho.

Quando os judeus foram para a Europa fugidos da Inquisição, tiveram que mudar seus nomes e sobrenomes e passaram a usar nomes de animais, de raízes, de flores e frutos, para se identificarem entre si. Nunca tiramos o nosso nome.

Nunca tirei do meu nome o Fialho, nem a minha família tirou.

Não sou judeu simplesmente circuncidado, não passei pelo sacrifício de cortar o prepúcio, não; eu cortei o prepúcio do meu coração. No meu coração não há ódio nem rancor, Sr. Presidente. Nunca peguei em armas. Fui líder estudantil, na noite da morte de Edson Luiz ali estava eu junto com Vladimir, mas nunca peguei em armas, nunca seqüestrei, nunca assaltei banco e jamais vou me jactanciar de ser revolucionário e ter pegado em arma. Quem pega em arma é capaz de fazer o mesmo que fizeram na China, na Índia, na Rússia.

Saí daqui para acompanhar Che Guevara, de quem eu gostava muito, para confrontar com ele minhas idéias, que achavam que eram de idealista. Fui para os mesmos campos bolivianos quando deixei o movimento estudantil brasileiro.

Fui ser missionário, entre quíchuas e aimaras, nas montanhas geladas da Bolívia, a sete mil metros de altitude. Lá eu vivi por sete anos, pregando o amor à justiça e nunca a força das armas. Deixo claras essas coisas para desbancar o império da mentira, o império do engano, pois há pessoas que, quando não conseguem o que querem pela força da palavra e da verdade, apelam e denigrem a imagem de quem tem o nome limpo. Não posso aceitar isso.

Os homossexuais não podem ser tratados, Sr. Presidente, como objeto, sendo enganados por um grupo que quer mudar o conceito de família, regulamentando casamento de homem com homem. Sabem que não vão conseguir. Os homossexuais que vivem juntos têm, sim, direitos; direitos civis eles têm. Devem ter direito à previdência social, mas devemos discutir isso no Direito Civil, da mesma forma que quem cuida de um moribundo até a morte deve ter direito à sua pensão. São direitos civis, mas não há que se envolver Direito Civil com Direito de Família. Direito de Família envolve um homem e uma mulher, que estão juntos para procriar.

Temos que respeitar a opção das pessoas, e eu respeito. O meu projeto, Sr. Presidente, Srs. Deputados, visa tão exclusivamente ao direito de o Estado assistir aqueles que queiram ser assistidos psicologicamente. Há crime nisso, Sr. Presidente? Eu tenho conversado com n homossexuais e alguns deles dizem: “Há determinados momentos em que eu tenho crise de mim mesmo.” Conversei com uma menina lésbica esses dias e ela disse: “Eu entendo o senhor. Entendo que eu não nasci homossexual, eu estou homossexual. Tive uma parceira por sete anos.

Ela não quis mais viver comigo, foi para a igreja e está sendo tratada lá.” Eu disse que gostaria que ela também tivesse um amparo psicológico, não só espiritual. Ela disse para mim: “Eu entendo o senhor. Eu não nasci homossexual. Eu sou uma mulher, os meus órgãos são todos femininos, mas tenho essa opção. Mas acho que no dia em que eu quiser, posso mudar, e se eu quiser ajuda, o Estado deve me oferecer.” Simplesmente isso, Sr. Presidente. É que esse feudo de mentiras está sendo quebrado.

Os homossexuais são pessoas honestas. O índice de criminalidade no meio deles é pequeno. Tenho informações de que são os melhores compradores: compram e pagam suas dívidas. São pessoas dóceis e são facilmente enganadas, Sr. Presidente. Estamos trazendo uma nova proposta: que o cidadão seja respeitado por aquilo que é. Não precisa 0800 de proteção ao homossexual; o delegado tem que respeitar a opção de cada um. As pessoas na rua têm que respeitá-lo, assim como me respeitam. Se eu e V. Exa. chegamos a uma delegacia e somos respeitados porque somos homens, por que o homossexual não vai ser respeitado?

O campo da fé e dos dogmas é outra coisa; a relação do indivíduo com Deus é outra coisa. Estamos tratando da relação do indivíduo com a sociedade, e eu não vim aqui para defender nada a não ser o direito do cidadão.
Para concluir, Sr. Presidente, a família da Sra. Governadora tem sido veementemente atacada.

O SR. CORONEL JAIRO – V. Exa. me concede um aparte?

O SR. EDINO FONSECA – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Coronel Jairo.

O SR. CORONEL JAIRO – Gostaria de solicitar à Presidência a cessão do meu tempo ao Sr. Deputado Edino Fonseca, para que continue sua exposição.

O SR. PRESIDENTE (Caetano Amado) – A Presidência defere o pedido do Sr. Deputado Coronel Jairo.

O SR. EDINO FONSECA – A Sra. Governadora está sendo atacada simplesmente porque não quer pagar pensão aos homossexuais. Não pode. Ela não pode pagar, não é que ela não queira. O Sr. Governador é de tão boa índole que tinha direito a uma pensão. Ele tem direito a uma pensão do Estado, como Governador que foi. Ele abriu mão de sua pensão. Por que um deputado que defende a pensão do homossexual não abre mão da sua pensão de deputado, quando ganha mais 50% do que eu e V. Exa.? Por que não abre mão, para cuidar dos aidéticos e dá para uma fundação? Não, não fazem isso. Mas a Sra. Governadora tem sido atacada, porque a Constituição proíbe tal pagamento, porque fala do Direito de Família.

A Constituição fala de Direito Civil e Direito de Família, de união civil e união estável. União civil de pessoas de sexo oposto aptos ao casamento e que têm direito à pensão previdenciária quem está enquadrado em união estável. E o homossexual está na união civil, mas não quer mudar a união civil. Querem que sejam enquadrados no casamento.

A Governadora não pode pagar isso e aí é atacada. É chamada de religiosa, como eu tenho sido chamado de religioso, meu nome ali no painel não está Pastor Edino, está Edino Fonseca. No meu registro político consta Edino Fonseca.

Eu fiz questão disso porque aqui estou não como religioso. Mas não sou contra também aqueles que se identificaram como pastor.

Mas a Governadora tem sido atacada, porque nós, aqui nesta Casa, aprovamos uma lei para que seja ensinada nas escolas o criacionismo, que foi Deus quem criou. Agora ouço que nas escolas do nosso Estado deve ser ensinada a Lei de Darwin. A evolução, por quê? Porque querem dizer que há uma nova raça, que o homossexual é uma nova raça que está surgindo. Estão fazendo transplante de útero de mulher em homem, Sr. Presidente. Estão fazendo gravidez abdominal em homem. Estão tentando modificar a natureza fertilizando células somente com genes feminino. E essa gente se levanta contra a governadora que prega que nós fomos criados por Deus e que não somos descendentes do macaco. Eu não sou.

Eu sou descendente de Abraão. E foi Deus que chamou Abraão. Eu sou filho de Eva com Adão. Eu não vim do macaco que Deus também criou. V. Exa. também não. Então, não posso aceitar essa corrente de idéias apesar de terem sido criadas por um cientista, porque aí eu vou aceitar que a humanidade está passando por um efeito e que está também surgindo uma nova raça, a do homossexual, a coluna do meio. Respeito os homossexuais nas suas opções mas, como criação, não.

Agora, por que a Governadora é atacada? Não se pode atacar a Governadora nem dizer que o Garotinho é corrupto, ou ladrão. Não conseguem, porque na declaração de renda Garotinho disse que só tem uma casa e um telefone, herança de seus pais. E qual é o mal de nossa Governadora? Ser uma excelente chefe de família, dona de casa, mãe de vários filhos e ainda mãe adotiva de outros filhos? Ninguém foi para a clandestinidade, ninguém foi pegar em armas, e olhe lá que Garotinho foi comunista! Mas como Jacob quando teve seu encontro com Deus, ele também mudou. Mas também não pegou em armas. Abriu mão de sua pensão e a entregou de novo para o Estado. A Governadora é um exemplo de mulher. Ele, um exemplo de família. Vão para a igreja todos os domingos de manhã. Estão lá na escola bíblica dominical ensinando na escola de casais. Não se tem o que atacar, então se ataca o que quer criar um Estado religioso, na sua região, o Rio de Janeiro.

Bendita Governadora que temos! Bendito Garotinho! Que Deus os preserve da maneira que estão!

Que eles possam ensinar às nossas crianças a mensagem do Deus vivo, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó. Um Deus de paz, que não quer guerras.

Sr. Presidente, deixo registrado meu protesto. Em que pequei? Em que errei? Em que falhei? Não peguei dinheiro da Coca-Cola, não tenho ONG, não tenho fundação. Os bens que possuo foram declarados na primeira página do jornal O Globo e são herança de minha família, de nossas empresas. Nunca neguei o que possuo e, ao jornal, disse: “Tudo tenho porque Deus abençoou meus pais. Quando conheceram Jesus, Ele nos fez prosperar”. Nunca enganei ninguém.

Mas o império da mentira tem que cair! Sorrisos falsos e frios, como ao dos chechenos ou de Bin Laden, devem ser menosprezados. Há pessoas que vêm aqui com sorriso bonito, um “sorriso Colgate”, mas têm armas debaixo do paletó – e são capazes de usá-las outra vez, porque nunca se arrependeram. São pessoas de caráter distorcido: na frente são uma coisa, mas, quando acendem os holofotes, parecem mariposas voando em direção à luz – Deus um dia irá queimá-las, assim como as mariposas são queimadas pela luz.

Sou judeu de nascimento, sou filho de Abraão, da tribo de Judá; jamais poderia me levantar contra meu povo. Defendo meu povo, defendo minha fé e o pacifismo de Jesus Cristo.

Agradeço aos Srs. Deputados Coronel Jairo, Acárisi Ribeiro, Graça Pereira, Coronel Rodrigues e Caetano Amado, aos funcionários. Agradeço o psicólogo que tem me acompanhado; ele é judeu também, mas ateu, e nunca nos confrontamos.

Muito obrigado.